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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Pais-em-Rede
para a deficiência

miranda.manel@gmail.com

A rádio TSF, num programa tendo como assunto a forma como integramos cidadãos com deficiências na nossa sociedade, inseriu uma intervenção que transcrevo: “No sentido de unir as famílias em todo o país que se vêem confrontadas com o problema da deficiência, seja ela ligeira, profunda, mental ou física, está a ser criado um movimento cívico denominado Pais-em-Rede. É um movimento cívico de âmbito nacional que está a dar os primeiros passos”, para debater uma causa comum. A causa é a deficiência.
“Pais-em-Rede” é um movimento cívico, de âmbito nacional, composto por famílias especiais e que pretende constituir-se como parceiro social para unir vozes para comunicar, discutir, organizar e propor soluções, para mudar mentalidades, na mira de uma progressiva qualidade de vida das pessoas com deficiência e das suas famílias.
O movimento não pretende substituir ou sobrepor-se a nenhuma associação. Seu principal objectivo é o de congregar esforços, criar uma rede de cidadãos responsáveis, de pais interventivos.
O movimento pretende trabalhar em rede, estabelecer relações de proximidade com os pais, com as famílias que têm pessoas com deficiência, porque está consciente que um filho deficiente representa um grande abalo para a família.
Lê-se no projecto que um filho com deficiência traz “revolta, medo, culpa, isolamento, insegurança, desorientação”, um filho que pela vida “vai ser sempre centro de apreensões, incertezas, insegurança das famílias”.
Para responder a estas preocupações, o movimento propõe, no seu projecto, dar apoio, informação, fazer aproximação com as famílias, nem que seja só com uma palavra amiga nos momentos de angústia e de incerteza.
No projecto lê-se que “não existem apoios, e os que existem funcionam de modo desagregado”. Uma constatação dolorosa. Os apoios são insuficientes. Muitos dos que existem não respondem às necessidades da população com deficiência. Uns longe do agregado familiar, outros muitas vezes burocratizados por uma visão de deficiência muito longe do que os pais precisam e querem.
Para a deficiência há várias organizações, algumas com nome reconhecido e de âmbito nacional e com história feita. Outras com designação mais localizada. É desejável que os projectos sejam transversais e envolventes, porque a causa é de todos, mas nem sempre isso acontece. O trabalho para a capelinha ou para a sigla atrofia e os que perdem são os deficientes.
O movimento “Pais-em-Rede” pretende chamar os pais para os destinos das organizações, pais mais interventivos e empenhados.
Lê-se no projecto que “os censos de 2001 estão marcados por uma significativa taxa de erro”, o que é verdade, e refere que “as incapacidades intelectuais são as que mais fogem aos números dos censos”, outra verdade.
Temos que reconhecer que os assuntos da deficiência estão a passar por grandes transformações, uma significativa evolução. Uma visão nova está em formação. Os direitos de cidadania estão a ser consciencializados, há mais respeito, mais aceitação. São conquistas para não voltar atrás.
O reconhecimento dos direitos de cidadania leva-nos a um patamar mais elevado, a lutar e a exigir direitos da vida quotidiana, direitos mais palpáveis, como:
- O direito à educação e que escola inclusiva responda com coerência às exigências de uma educação para a vida, ensino adequado à população com deficiência, com projectos educativos individualizados e que a educação não se fique pela idade escolar, mas que tenha continuidade.
- O direito à saúde pede recursos e técnicos para a reabilitação e para a manutenção de competências.
- O direito ao trabalho, massacrado pelas exigências da produtividade, pede trabalho protegido. Nem o Estado cumpre as leis de emprego para deficientes.
- As pensões sociais não podem ser esmola aos desprotegidos.
O movimento “Pais-em-Rede” é um projecto coerente, consistente, traz os pais à linha da frente. É dirigido aos pais.
Talvez demasiado perfeito e ambicioso. Pode ser conhecido no endereço: www.pais-em-rede.com
Conhecedores deste movimento, os pais não podem ficar espectadores.

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